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Editor que publicou charge de Maomé vive sob escola policial

Para editor da revista "Charlie Hebdo", atacada após publicar charge de Maomé, reação foi surpreendente

Há duas semanas, a revista satírica francesa "Charlie Hebdo" escrevia na capa, em tom de brincadeira, ter sido editada pelo profeta Maomé. Prometia cem chibatadas a quem não achasse graça.

Uma bomba incendiária foi a reação de alguém que não riu. O ataque destruiu o escritório da redação, durante a madrugada. Destroços espalharam-se pela calçada. A questão levantada pelo ataque, porém, foi mais longe.

O atentado repercutiu por todo o mundo, e ecoou especialmente na Dinamarca. Foi lá que, em 2006, o jornal "Jylland-Posten" foi alvo de ameaças ao retratar Maomé em outra charge satírica.

"Não esperávamos esse resultado", diz à Folha Stéphane Charbonnier, editor da "Hebdo". "A ilustração retratava um Maomé 'cool', não era um desenho agressivo."

Para o islamismo, retratar o profeta é um tabu. Ainda assim, o editor diz que não estava preocupado quando decidiu publicar a charge.

A convite da Folha, o artista inglês David Ziggy Greene, que desenha para a "Charlie Hebdo", ilustrou Charbonnier em charge (veja acima).

Ao constatar o estrago na sede da revista -a equipe se abrigou no prédio do diário "Libération"- Charbonnier pensou no fim da publicação, cuja vendagem saltou de 45 mil para 220 mil exemplares. "Mas logo fiquei bravo."

A "Charlie Hebdo" é conhecida por não poupar acidez nas críticas. "Usar nossa liberdade em um país livre não é provocação. Se for uma provocação, então provocamos em todas as semanas."

Após receber ameaças de morte, Charbonnier está sob proteção policial. Mas diz não estar paralisado pelo temor.

A edição seguinte à polêmica trazia na capa um muçulmano beijando um chargista. "Não ligo para o que os fascistas estão pensando."

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